mais cedo ou mais tarde, todos sentimos um desconforto. por estupidez, acomodamo-nos. só voluntariamente o podemos interromper

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março 10, 2006

[31] .5. (re)começo .3.

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«se não os consegues vencer, junta-te a eles»
«se não os consegues vencer, não jogues o jogo»
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Esgotei as deambulações sobre o tema. A realidade teima em ilustrá-lo mais fielmente do que alguma vez serei capaz, e, refutar o óbvio, não é a minha luta.
A atitude do «se não os consegues vencer, junta-te a eles» não condiz minimamente com a dorsal da minha praxis - o que me faz reportar a uns bons pares de anos atrás, quando fixei uma outra frase alternativa, cujo autor escolho não citar, que era «se não os consegues vencer, não jogues o jogo».
Para quê sequer tentar educar quem não quer aprender?! Embora lamente tout court, desviante seria associar-me a um colectivo onde não me reconheço.
Recomecem! Recomecem do falso ponto zero! Atrevam-se a acreditar, mas não me incluam. Estamos entendidos?
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fevereiro 22, 2006

[29] .5. (re)começo .2.

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[...]
Ontem, ao jantar, a discussão circulou sobre os recomeços. Parece moda incentivar recomeços. Mas sabes a que conclusão cheguei, pelo meu raciocínio? Que esse incentivo perde o seu bom propósito, porque apenas justifica as desistências. É. As desistências ficam justificadas por quem se sente livre para recomeços, como se, ao recomeçar, ficassem saldadas todas as contas atrasadas - o que faz diminuir a responsabilidade sobre tudo o que se fez. A redenção pelo renascimento. Bah! De que serve poder recomeçar se é para a seguir se repetir tudo, de novo erradamente? O que torna esse recomeço diferente da desistência do anterior? A mudança de personagens?
É tudo tão efémero, de facto. Pouco se evoluiu em relações humanas. E a arte há-de sempre representar essa grafia e a libertação do real, simultaneamente. A fuga para a frente. É libertário?
[...]
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[28] .5. (re)começo

"Não me recordo da última vez."
Será assim a génese do começo? Uma voz interior que não soa nunca?
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Um recomeço lembra nova etapa, mas também desistência.
Tornou-se fácil aderir a recomeços. (Ah! Como odeio toda a filosofia que vem apensa aos recomeços!) E há uma imensidão de vozes apoiantes que julgam minorar a decepção anterior e sobrevalorizar qualquer coisa que confundem com coragem que julgam ver demonstrada nessa atitude.
Para mim, uma desistência é um ciclo fechado, levado ao limite, esgotadas as tentativas; não uma desistência desistência.
É por isso que com relutância agrupo desistência e recomeço na mesma semântica. Porque uma leva a outra, quase irremediavelmente, numa relação de causa e consequência.
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"Já não dava."
Será esta a justificação mais banalizada? Sendo a mais comum, é aceitável?
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